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Segunda-feira
Abr302012

Meu primeiro vídeo: Parte 2 - Seus limites e problemas.

 

Você já viu como é fácil fazer um filme. E já está empolgado para fazer o seu. Mas na hora de filmar você repara que não tem toda a estrutura que precisava. E agora?

 

Conheça suas limitações:

Existem duas formas de se fazer um filme. A primeira é quando você escreve o seu roteiro em todos os detalhes e espera até conseguir dinheiro, equipamentos e equipe para filmá-lo.

A segunda é quando você tem uma ideia, mas a adapta para que ela se torne viável com o que você tem hoje.

Eu sou a favor de se adaptar o roteiro, pois dessa forma você poderá ter logo um filme pronto. O que acontece, é, que se você esperar para ter os recursos para o seu filme épico, pode ser que você demore alguns anos para filmá-lo. Então acho que é o melhor guardá-lo na gaveta e esperar o momento certo de tirá-lo de lá, e, enquanto isso, focar sua atenção em projetos menores e mais fáceis de realizar.

Para isso, você precisa conhecer suas limitações. Se você não possui uma câmera para filmar em baixo d'água, não pense em um filme com cenas subaquáticas. O mesmo se você estiver filmando apenas com amigos. Se nenhum deles é ator, não coloque-os em situações em que a atuação é o que irá vender a cena. E se você não conhece nenhuma fábrica abandonada, não vai funcionar muito desenvolver um roteiro no qual todas as cenas se passam em uma.

Escreva roteiros que, independente das suas limitações, possam se tornar bons filmes. Isso é ter em mente quais são os seus equipamentos, o quanto você pode exigir da sua equipe, qual o seu conhecimento prático e quais as suas habilidades na pós-produção.

Com isso bem determinado, você pode começar a pensar quais áreas explorar para conseguir fazer um bom filme mesmo que com recursos limitados.

“Então não é para eu tentar coisas novas?”

Não é isso. O que eu quero dizer, é que se você sabe que não vai conseguir executar a sua ideia de forma bem feita, é melhor adaptá-la para algo que você tenha certeza de que ficará bom. E no dia que você estiver preparado, traga a sua ideia de volta e execute-a da melhor maneira possível!

 

Pense nas soluções e não nos problemas:

Você já conhece as suas limitações, mas sempre que tem uma ideia para um filme novo, você esbarra nessas dificuldades.

Em um primeiro momento, e de acordo com o que falei antes, você vai ou guardá-la para o futuro, ou adaptá-la.

Mas calma: se a deia é boa, não a deixe de lado. Procure formas de contornar essas dificuldades. Não deixe que esses problemas atrasem suas produções. Descubra formas não tradicionais, maneiras alternativas ou invente um jeito próprio de conseguir o resultado que você quer.

Pense no resultado que você quer alcançar e veja como chegar nele mesmo que sem os "equipamentos necessários". Um exemplo clássico de contornar a necessidade de equipamento é utilizar skates ou uma cadeira de rodas para fazer um travelling. Seja criativo e tente pensar "outside the box".

Você também não deve ser a única pessoa com esse problema. Use a internet para procurar por pessoas que já passaram ou estão passando por uma situação semelhante a sua, e pergunte como elas lidaram ou estão lidando com isso.

Não fique parado só por que não vai ser fácil conseguir o resultado que você quer por conta das suas limitações. Em vez disso, analise, pense, e solucione o seu problema com as ferramentas que você possui.

Gaste o seu tempo pensando nas soluções, e não reclamando dos seus problemas.

 

Na prática:

O Live the Language – Rio de Janeiro foi um dos primeiros vídeos que eu tive a vontade de fazer. Na verdade, ele foi uma das razões de eu ter começado a fazer filmes.

Na época, eu sabia que não possuia nenhum conhecimento sobre filmagens, e que se tentasse fazê-lo mesmo assim, iria sair algo muito ruim. Então esperei um ano para ganhar experiência e possuir um equipamento básico, para só então filmá-lo.

Nesse meio tempo, porém, eu não fiquei sem fazer nada. Usei ideias menores e menos complexas para treinar e aprender coisas novas. Escolhi roteiros simples, como o do clip Save Me.

As locações que eu precisava eram o meu play, a minha rua e a casa da minha amiga. E só para ficar algo mais legal, usei um tutorial de After Effects para criar os clones. Simples, porém divertido. Filmamos tudo em dois dias, com apenas uma câmera e um tripé, só eu e ela, mais ninguém.

 

 

Antes mesmo do Save Me, eu resolvi fazer o Like a Wizard. Resumindo a história, eu precisava de uma tela para chroma key.  Eu não tinha dinheiro para comprar uma oficial, mas em vez de desistir, resolvi construir uma para mim.

Fui ao centro da cidade eu moro no Rio de Janeiro , entrei em uma loja de tecidos e fui direto para parte de retalhos. Lá, encontrei dois pedaços grandes que me satisfizeram, e que, como estavam na seção de retalhos, foram super baratos. Sai de lá e fui para uma loja de construções onde comprei canos e encaixes de PVC. Trouxe para minha casa, cortei, encaixei, amarrei e pronto: ali estava a minha própria tela de chroma key.

Não era a melhor coisa do mundo e eu nem soube utilizá-la direito, mas mesmo assim consegui o que eu queria sem precisar gastar uma fortuna e apenas procurando por uma solução alternativa.

Então saiba quando é preciso esperar, mas pense em como contornar as dificuldades antes adiar o seu projeto.

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